Ao longo de 2024, o primeiro movimento de BIOFONIA (com 8 minutos de duração) tomou forma como uma obra multimodal inspirada na Mata Atlântica e nos povos e culturas indígenas desses ecossistemas, representados pelo povo Guarani. Através da fusão de música e animação, o projeto explora o papel vital que essas florestas e suas comunidades desempenham na biodiversidade global e no equilíbrio climático.
À medida que o Brasil se prepara para sediar a COP30 em novembro de 2025, BIOFONIA será apresentado como parte do diálogo internacional sobre clima e sustentabilidade. A segunda parte do projeto, AMAZONICA, também será exibida na Dinamarca durante o Encontro Cultural em agosto de 2025, e uma apresentação no Encontro da Natureza em 2026 está atualmente em negociação. Esses eventos têm como objetivo envolver o público dinamarquês em uma compreensão mais profunda das florestas tropicais da América do Sul e dos sistemas de conhecimento que as sustentam há gerações.

Colaboração Cultural: Trabalhando com o Coral Guaray Oua (Brasil)
Em junho de 2024, o compositor Mathias Madsen Munch e o marimbista solo Ronni Kot Wenzell visitaram a região de Iguape, no sul do estado de São Paulo, para dar continuidade ao desenvolvimento do projeto Biofonia. Com a ajuda dos excelentes profissionais da Fábrica de Cultura Iguape, o DCI facilitou a participação do grupo musical Coral Guaray Oua, da aldeia Guarani Tekoá Itapuã.
A equipe de Biofonia foi convidada a entrar na casa de reza da aldeia, o lugar mais sagrado da comunidade, para conversas ao redor do fogo sobre temas que iam da espiritualidade à política, com o cacique, seu filho e sua nora. Estabelecer colaborações artísticas enriquecedoras com comunidades indígenas exige uma escuta atenta e sensível, essencial para criar a confiança necessária. No DCI, estamos entusiasmados em aprender mais a cada visita, ajudando a tornar esses encontros interculturais tão especiais. Neste caso, a facilitação levou à assinatura de um acordo formal de colaboração artística entre os parceiros criativos.
Por iniciativa do DKI, uma equipe de filmagem da Fábrica de Cultura Iguape documentou o último dia do projeto. Em um gesto raro, o cacique permitiu a gravação dentro da casa de reza, um espaço normalmente fechado para visitantes externos. As imagens capturaram as sessões musicais e entrevistas, que posteriormente foram incorporadas a materiais educativos apresentados a crianças dinamarquesas em Viborg. Todos se emocionaram quando o filho do cacique compartilhou que foi decidido que o cachê recebido seria usado para a compra de novos instrumentos musicais para a aldeia. Para nós, isso destacou como a arte pode fomentar o diálogo sobre temas complexos, criando ressonância em ambas as partes.
A correspondente do Wall Street Journal, Samantha Pearson, acompanhou os artistas para um retrato de Ronni Kot Wenzell, que será publicado em conexão com a COP30 no Brasil. As atividades de Mathias contam com o apoio do OpEn, um fundo dinamarquês financiado pelo Ministério das Relações Exteriores da Dinamarca, e da Fundação de Artes da Dinamarca.

2025: Expandindo a Visão
Após a bem-sucedida estreia de BIOFONIA no Viborg Animation Festival em 2024, AMAZONICA dá continuidade a essa jornada artística, explorando as narrativas culturais e ecológicas da Floresta Amazônica. Através da música, animação e do conhecimento indígena, o projeto busca destacar a Amazônia não apenas como uma maravilha natural, mas como uma paisagem cultural viva e em constante evolução, que exige tanto atenção artística quanto ambiental.
No centro do projeto está uma residência artística de quatro semanas em maio de 2025, baseada em Iquitos, Peru – um vibrante portal para a Amazônia peruana. Durante esse período, Mathias realizará pesquisas, workshops, apresentações e trocas interdisciplinares com músicos locais e agentes culturais. Essa residência servirá como base para uma produção artística de grande escala, conectando culturas e celebrando o patrimônio indígena por meio da música, da contação de histórias e da arte visual.

Expandindo o Intercâmbio Cultural
Baseado em pesquisas anteriores realizadas no Peru, em colaboração com a organização artística peruana Correlación Contemporánea, o projeto oferece uma oportunidade única de interação com o conhecimento e as tradições indígenas.
Uma Plataforma para o Envolvimento Jovem e a Expressão Artística
Além das apresentações musicais, AMAZONICA também será apresentado como um projeto de arte audiovisual. O Viborg Animation Festival continuará sua colaboração iniciada com BIOFONIA no Filmmakers Workshop em 2025, onde jovens cineastas de todo o mundo criarão suas próprias interpretações visuais da floresta tropical, inspirados pelo projeto.
Essa iniciativa será liderada pela Ouros Animation, equipe de artistas responsável pela animação de BIOFONIA em 2024, que segue profundamente envolvida no projeto. O Filmmakers Workshop estreará no VAF 2025 e, posteriormente, servirá como pano de fundo visual para as apresentações da Orquestra Jovem do Norte da Jutlândia no Naturmødet 2026.
Além disso, os vídeos produzidos servirão como documentação do projeto e como uma ferramenta para seu desenvolvimento contínuo, especialmente na América Latina.

Quem é Mathias Madsen Munch?
Mathias Madsen Munch (MMM) se destacou por meio de projetos inovadores que utilizam a música como um portal para o engajamento. Recentemente, ele retornou de Hong Kong, onde seus concertos interativos para crianças foram apresentados com a City Chamber Orchestra of Hong Kong. Ele também liderou projetos impactantes na Letônia e na Rússia, em colaboração com as embaixadas locais e o Instituto Cultural Dinamarquês.
Em 2024, Munch foi o compositor clássico vivo mais executado nas salas de concerto da Jutlândia. Reconhecendo suas contribuições, a Fundação Augustinus recentemente concedeu a ele um prêmio de 500.000 DKK para apoiar colaborações com orquestras sinfônicas regionais na Dinamarca em 2025 e 2026.
Munch recebeu seu primeiro financiamento do CISU em 2024 para o projeto BIOFONIA, que buscava dar vida à floresta tropical por meio de um formato audiovisual, com o apoio do produtor Rasmus Madsen Munch, do arranjador Thomas Bryła, do violinista Jens Elfving e de Gry Bossen (líder de política e engajamento na ONG Forests of the World). O projeto rapidamente cresceu em escala e ambição, graças aos esforços do Instituto Cultural Dinamarquês em conectá-lo ao povo Guarani e à COP30. Com AMAZONICA, a visão se fortalece ainda mais – conectando continentes, culturas e gerações através da linguagem universal da música.